UM DESENHO POR SEMANA

quarta-feira, 20 de março de 2013

Viagem rumo à cara de E.T.

Tentando tornar o mundo sem ofensas, perfeito, com um falso respeito e aceitação por tudo, o nosso tempo, nossa sociedade (nós) está criando uma época impossível de se conviver de verdade. Estamos caminhando rumo a apenas existir em um ambiente sem cor, sem gosto, sem dor, sem sal, sem diferenças, onde respirar pode criar situações de conflito. Estamos construindo as bases para um futuro com cara alienígena. Explico.


“Me habituei ao pão light
À vida sem gás
O meu café tomo sem açúcar
E até ficar sem comer
Sem te ver
A gente custa mas se habitua

Sem giz, sem água
 

Sem paz, sem nada”


Aos amantes da linha de pensamento de Eram os deuses astronautas (com documentarios repetidos à exaustão em um canal discovery perto de você), é comum a teoria de que aquele alienígena com rosto triangular, grandes olhos negros uma boquinha ínfima,  é o futuro da evolução da espécie humana, que nos visita desde tempos antigos. Segundo algumas dessas teorias, o ser humano chegará em um desenvolvimento tal de sua capacidade cerebral que pouco a pouco atrofiará seus membros e músculos, bem como outros apetrechos físicos dispensáveis tais como pelos, cabelos e orelhas, por exemplo. Dessa forma, sua cabeça ficará então gigantesca e sua comunicação será mais telepática que oral. Sua (nossa) aparência será, salvo anomalias, padrão.


Não haverá mais diferenças físicas, já que raças não serão perceptíveis a olho nu. Dessa forma  diversas questões raciais, culturais e políticas deixarão de existir. Não haverá diferença a entre homens e mulheres e assim não haverá sexismo. Não haverá adornos, alisamentos de cabelo, escovas, mechas californianas, já que não haverá cabelo. Não haverá academias já que, com todo avanço científico unido à tecnologias de transmissão de dados, toda informação motora partirá diretamente do cérebro para equipamentos inteligentes, eliminando a necessidade de músculos para carregar coisas e assim, o padrão de beleza mudará. Aliás o conceito de belo sumirá. A subjetividade da beleza cairá no esquecimento. Toda arte feita nos séculos anteriores será analisada matematicamente e avaliada segundo sua importância no avanço científico, no desenvolvimento antropológico e cultural da raça humana.



Já que não haverá mais diferenças e não existirá o belo, diferenciar o indivíduo e desenvolver um produto para ele será cada vez mais difícil. Assim, não haverá mais a opressão do consumismo, e o apelo publicitário também não ditará perfect ways of life. Não haverá hábitos de consumidor, venda de conceito e atributos intangíveis para um público específico. Não haverá esse tal de específico. Não haverá nichos de mercado. Não haverá mercado. Não haverá pressão de estar na moda, tendência, cor da estação. Não haverá depressão. Não haverá cor.

Também não haverá mais crimes passionais a medida que não existirão problemas românticos como sentir-se só, ou a agonia de procurar um homem pra chamar de seu, ou uma mulher pra amar e respeitar.  Não haverá cortejo, flerte, sedução. Não haverá a desilusão, já que não existirá a ilusão. Não haverá uma coxa mais grossa pra atrair seus olhos, uma personalidade marcante para acender seu cérebro ou um sorriso de canto de boca pra desmontar suas barreiras. Não haverá barreiras e nem avanços, muito menos conquista. Afinal, esse termo é coisa de quem quer subjugar o outro, vencê-lo, possuir para seu bel-prazer, coisa de bárbaros. Aliás, se não existirá todo esse sentimento de ganho, perda, sofrimento, alegria e amor, mais um motivo para não existir a arte.

Não existirão princesas e príncipes, não haverá rosa ou azul, tudo será desconstruído e desnecessário. Não haverá joelhos no chão em pedidos de casamento. Não haverá uma passada de mão no cabelo colocando-o atrás da orelha. Não haverá dois quilos pra perder. Não haverá a preparação para uma festa, que é o melhor da festa. Não haverá festa.
Não haverá a espera de saber o sexo da criança pra escolher a cor do sapatinho. A cor não terá mais sentido, não dirá nada, não causará sensações. Ninguém usará laranja por estar alegre, ou preto por luto. Ninguém ficará de luto. Pois na época em que formos assim, não morreremos mais. Nessa era o homem já terá sido extinto há tempos. Não seremos mais miseráveis e incríveis, não seremos mais bárbaros e criativos. Não seremos mais vãos, ou subjetivos. Não seremos mais loucos rumando pela terra em busca de aprender. Não ofenderemos ninguém, não seremos ofendidos. Não choraremos, não sorriremos. Não haverá tristeza ou alegria, não haverá suspense, apreensão, surpresa, não haverá improviso. Não haverá nada, a não ser terráqueos ETs viajando ao passado para analisar e tentar equacionar, entre o pior e o melhor, o quanto éramos incríveis.

2 comentários:

  1. ...e somos nós a geração dos infelizes idealizadores dessa época.

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